organização de Claudia Secci, Tiziana Tarsia, Paolo Vittoria

O pensamento político-educacional de Paulo Freire não se reconhece dogmaticamente em uma única escola teórica específica, mas remete constantemente à ação educativa, por isso não pode ser facilmente definido ou categorizado. Isso não isenta de buscar em suas ideias, influências que provem de diferentes correntes de pensamento que são principalmente atribuíveis ao existencialismo, personalismo, marxismo (humanista e dialético), a teologia da libertação, ao pensamento descolonial. Nas contínuas antíteses entre elementos como oprimidos / opressores, educador / educando, pedagogia bancária / crítica, diálogo / antidialogo ressoam as referências com a dialética hegeliana. Na pedagogia da práxis, como força reflexiva e transformadora, é evidente a referência com Marx.

Freire revela a complexidade da dinâmica da opressão e, ao mesmo tempo, destaca a importância do conhecimento através da experiência. Em suas obras ele dá sentido à exploração da dimensão do conflito que, ao mesmo tempo, é a base das relações hierárquicas e assimétricas que podem ser vivenciadas não só em situações de opressão evidente, mas também nas experiências que consideramos protegidas, que podem ser também violentas nos campos educacional, emocional e social. Profunda é sua analise de temas como autoridade, liberdade, poder, diálogo, conflito.

Partindo desses pressupostos, para o centenário, queremos repensar Paulo Freire, analisando de forma profunda e atenta as raízes do seu pensamento (e, portanto, das suas práticas). Porque consideramos que Freire deve ser reinventado procurando as raizes de seu pensamento filosófico, político e, portanto, educacional. Do contrário, o risco é torná-lo uma figura generalista sujeita a manipulações, perdendo de vista a abrangência do conhecimento de suas práticas. Convidamos a apresentar propostas de artigos que descrevam e analisem experiências de pesquisa de matriz pedagógica, sociológica, filosófica, psicológica. De particular interesse serão considerados os trabalhos de pesquisa que partem de contextos concretos e descrevem a formação de experiências de longa data.

Os tópicos de interesse são os seguintes:

  1. Experimentação de práticas socioeducativas e integração entre universidades, organizações sociais, escolas à luz do pensamento de Freire;
  2. Experiências de teatro e práticas artísticas que traçam as dinâmicas da opressão e as interpretam através de categorias freireanas;
  3. Comparação entre diferentes textos de autores que evidenciem a sua relevância, mas também as potencialidades e fragilidades na leitura da atual realidade educacional e social;
  4. Estudo e análise das categorias filosóficas presentes no pensamento de Freire, em função de estudo teórico e / ou prático;
  5. uma releitura de Paulo Freire em perspectivas descoloniais, feministas, ecopedagógicas ou vinculadas às epistemologias dos movimentos sociais;
  6. Intervenções que destacam as relações internacionais com o campo da pedagogia crítica contemporânea.

Os artigos propostos devem ser inéditos e podem ser enviados até 15 de julho de 2021 para o endereço redazione.educazioneaperta@gmail.com. Podem ser elaborados em italiano, inglês, espanhol, português ou francês. Devem cumprir rigorosamente as normas editoriais disponíveis neste link: https://educazioneaperta.it/guidelines. Os artigos passarão por um processo de revisão. Os artigos aceitos serão publicados no número 10 da Educação Aberta, com lançamento previsto para dezembro de 2021.