Ivanilde Apoluceno de Oliveira


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This article reflects on how the critical reading of the world and the word is presented in Freire’s literacy, having as a reference practices in the education of young, adult and elderly people from the Nucleus of Popular Education Paulo Freire – NEP of the State University of Pará, Brazil. This is a bibliographical research based on the works of Paulo Freire and the bibliographic productions of NEP educators. Among the results, it is highlighted that literacy from the Freirean perspective is a creative and critical act. A critical reading of the world and the word is developed, aiming to create opportunities for people to be subjects of knowledge and of their citizenship.

Keywords: literacy, Paulo Freire, critical reading of the world.

Neste artigo reflete-se sobre como se apresenta na alfabetização freireana a leitura crítica de mundo e da palavra, tendo como referência práticas de educação de jovens, adultos e idosos do Núcleo de Educação Popular Paulo Freire – NEP da Universidade do Estado do Pará, Brasil. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica pautada em obras de Paulo Freire e das produções bibliográficas de educadores/as do NEP. Entre os resultados destaca-se que a alfabetização na perspectiva freireana é um ato criador e crítico. Desenvolve-se a leitura crítica de mundo e da palavra, visando oportunizar que as pessoas sejam sujeitos de conhecimento e de sua cidadania.

Palavras-chave: alfabetização, Paulo Freire, leitura crítica de mundo.

Ivanilde Apoluceno de Oliveira, Alfabetização de Paulo Freire: leitura crítica de mundo, in “Educazione Aperta” (www.educazioneaperta.it), n. 10 / 2021.


Palavras Iniciais

A questão do analfabetismo está vinculada à exclusão e não se constitui meramente como a incapacidade de ler e escrever. É também um indicador cultural que nomeia formas de diferenças sociais[1], sendo o indivíduo analfabeto, em relação ao “alfabetizado”, visto como aquele/a que não saber ler e assinar o nome, sendo firmada a sua posição social de classe subalterna, por não ser escolarizado.

Freire[2] em relação ao analfabetismo destaca a necessidade de se ter uma visão estrutural da questão. Compreende que há necessidade de reconhecer a dimensão estrutural em relação à qual os analfabetos são marginalizados, isto é, as situações históricas, sociais, culturais e econômicas.

As pessoas analfabetas são vistas como seres “fora de”, “à margem de” algo. Porém, na visão de Freire[3] estar na periferia da sociedade não é uma questão de opção. A marginalidade com tudo o que ela implica: fome, doenças, dor, morte, crime, impossibilidade de ser, entre outras, não é opção. O ser humano marginalizado tem sido excluído do sistema social e é mantido fora dele, porque é objeto de violência. O ser humano marginalizado não é “um ser fora de”, é um “ser no interior de” uma estrutura social, cuja relação é de dependência. Considerar que o analfabeto é uma pessoa que existe à margem da sociedade, significa vê-lo como uma espécie de “ser humano doente”, para o qual a alfabetização seria medicamento “curativo”, que lhe permitiria “voltar” à estrutura “sadia” da qual havia sido separado. Sob esta perspectiva, o analfabeto é o que sofre opressão no interior da estrutura social ao ser tratado como coisa, objetivado. Por isso, para Freire os programas de alfabetização precisam viabilizar a libertação, considerando que as pessoas são oprimidas no interior da estrutura social.

Assim, na visão de Freire[4] não há outro caminho para a humanização – a sua própria e a dos outros –, a não ser uma autêntica transformação da estrutura social desumanizante.

Ao se considerar os analfabetos como homens e mulheres oprimidos pelo sistema, o processo de alfabetização precisa se configurar como uma ação cultural para a liberdade, cuja tarefa é desmistificar a realidade opressora e possibilitar a reinserção destes homens e mulheres na sociedade com consciência critica. A criticidade torna-se fundamental no processo de alfabetização freireana[5].

Neste artigo objetiva-se explicitar como se apresenta na alfabetização freireana a leitura crítica de mundo e da palavra, tendo como referência práticas de educação de jovens, adultos e idosos do Núcleo de Educação Popular Paulo Freire – NEP da Universidade do Estado do Pará, Brasil.

Desde 1995, como Projeto de Educação de Jovens e Adultos – PROALTO, e desde 2002, como Núcleo de Educação Popular Paulo Freire – NEP, vêm-se realizando práticas de alfabetização com pessoas jovens, adultas e idosas, em diferentes contextos socioeducacionais: ambientes hospitalares, lar de acolhimento de idosos, centros comunitários, entre outros. E nesses espaços as práticas educativas têm por base a educação popular de Paulo Freire, que apresenta um engajamento ético-político com os diversos segmentos sociais historicamente excluídos.

Trata-se de uma pesquisa bibliográfica pautada em obras de Paulo Freire e das produções bibliográficas de educadores/as do NEP.

Apresenta-se inicialmente a alfabetização em Paulo Freire e a importância da leitura crítica de mundo e da palavra e em seguida como se caracterizam as práticas alfabetizadoras freireanas do NEP. Por fim, as considerações finais.

A alfabetização em Paulo Freire e a leitura crítica

A alfabetização no ambiente escolar é tratada como aquisição de técnicas de leitura e escrita, isto é, “técnicas perceptivo-motoras como a qualidade do traço, a distribuição espacial das formas, etc., focando atenção aos aspectos gráficos das produções da escrita”[6]. Tradicionalmente aprende-se a ler aprendendo-se a juntar letras do alfabeto. Porém, esta forma de alfabetizar é utilitarista porque produz alfabetizados funcionais para atender ao mercado de trabalho e é excludente por favorecer a evasão ou expulsão escolar.

Freire se contrapõe a esta forma de alfabetizar porque não considera o/a educando/a como sujeito do conhecimento; não leva em conta os seus saberes e a experiência de vida e não interage com a realidade social e cultural em que vivem.

Diferentemente do olhar tradicional da alfabetização, Freire[7] explica que “historicamente, os seres humanos primeiro mudaram o mundo, depois revelaram o mundo e a seguir escreveram as palavras. […] Os seres humanos não começaram por nomear A! F! N! Começaram por libertar a mão e apossar-se do mundo”.  Desta forma, a aprendizagem da leitura e da escrita deve começar a partir de uma compreensão abrangente do ato de ler o mundo, antes de ler a palavra.  “A leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra”[8].

A alfabetização é conceituada por Paulo Freire[9] como “a criação ou a montagem da expressão escrita da expressão oral”, cuja criação não pode ser feita pelo educador para ou sobre o/a alfabetizando/a, já que este tem uma tarefa criadora. Explica Freire que o/a alfabetizando/a está inserido/a num processo criador como sujeito do conhecimento. Desta forma, como sujeitos cognoscentes os/as alfabetizando/as estão em constante processo de aprendizagem que extrapola os limites da escola. Significa que a alfabetização é uma ação criadora e fundamental para a vida do ser humano e do cidadão e uma leitura crítica do mundo e da palavra.

A leitura de mundo e da palavra escrita para Freire[10] tem que ter uma dimensão crítica, porque o/a leitor/a não-crítico/a se apresenta como “espécie de instrumento do autor, um repetidor paciente e dócil do que lê”, não efetivando uma real apreensão do significado do texto, e sim uma “justaposição, de colagem, de aderência”, isto é, apenas reproduz o lido.

A leitura crítica na perspectiva de Paulo Freire é aquela em que o/a leitor/a se assume como sujeito desvelador/a do texto. Nesse sentido, é aquele/a que “reescreve” o que lê, “recria” o assunto da leitura em função de seus próprios critérios e de sua visão de mundo, sendo partícipe do processo de leitura. Desvela problemas, fatos, razões de ser, etc., e se constitui em “ato de conhecer não só o texto que se lê, mas também de conhecer através do texto”[11]. E em consequência, do seu contexto.

Freire[12] afirma que: “através do diálogo crítico sobre um texto ou um momento da sociedade, tentamos penetrá-lo, desvendá-lo, ver as razões pelas quais ele é como é, o contexto político e histórico em que se insere”. A leitura crítica, então, pressupõe ao/a leitor/a dialogar com o texto, estabelecer relações entre o contexto do/a autor/a e o seu contexto, problematizando e reelaborando o lido, ou seja, requer o perguntar, o questionar sobre o que se lê, isto é, não aceita simplesmente o que se lê.

Compreende Paulo Freire que os textos lidos podem tanto esclarecer, explicar, libertar quanto confundir, mascarar ou oprimir. Além disso, o mundo globalizado envolve uma rede de informações e de conexões, que coloca os seres humanos diante de um novo desafio: saber ler esse mundo complexo, informatizado, multimídia, excludente e plural.  Por isso a necessidade da reflexão crítica no ato de ler o mundo. A crítica viabiliza a necessária disciplina intelectual ao fazerem-se perguntas ao que se lê, ao que está escrito, ao livro, ao texto e aos contextos do/a autor/a e do/a leitor/a.

A leitura crítica, então, na concepção freireana tem uma dimensão humanista, porque viabiliza a homens e mulheres serem mais, isto é, serem sujeitos, capazes de exercerem a cidadania. Explica Freire[13]  que se ler é buscar criar a compreensão do lido, o ensinar a ler é uma experiência criativa que envolve a compreensão e a comunicação. Aprender a ler não é apenas aprender a decodificar letras e palavras, mas apreender o seu sentido e significado em um dado contexto. Desta forma, passa a ser importante que o/a educador/a ensine aos educandos/as a perguntar, a problematizar, não recebendo os conteúdos prontos, acabados.

O ato de perguntar é importante porque faz parte da existência humana no processo de busca do conhecimento das coisas, fenômenos e de si mesmo.  Freire[14] explica que “ao instalar-se na quase, senão trágica descoberta do seu pouco saber de si, se fazem problema a eles mesmos. Indagam. Respondem, e suas respostas os levam a novas perguntas”.

No ensino crítico aprender a ler exige tempo para o diálogo, para a problematização e apreensão do significado das palavras no texto e em seu contexto, não se enquadrando nas exigências atuais da sociedade regida pela lógica do mercado, da leitura de slogans, de imagens e de textos fragmentados.

Alfabetizar em Freire significa ser o/a alfabetizando/a partícipe do processo, viabilizando também a sua participação crítica na sociedade, bem como desenvolvendo elementos da sua subjetividade, como a criatividade, a curiosidade e a criticidade, além de olhar para as necessidades de desenvolvimento integral da pessoa humana. Pressupõe o respeito ao saber das pessoas explicitado na sua leitura de mundo, da sua realidade existencial e social e à identidade cultural de crianças, jovens,  adultos e idosos

A alfabetização em Freire[15] não é neutra, mas eminentemente política, considerando que a alfabetização tem que ver com a identidade individual e de classe e com a formação da cidadania. Por isso, “é necessário que a tornemos e a façamos como um ato político, jamais como um que fazer neutro”. E por ser política é que, segundo Macedo[16]: “deve ser analisada dentro do contexto de uma teoria de relações de poder e de uma compreensão da reprodução e da produção social e cultural”.

Alfabetizar para a escrita e leitura da palavra crítica na perspectiva freireana requer a superação do currículo tradicional, disciplinar, centrado no conteúdo escolar e que dicotomiza o saber erudito do saber do senso comum, para um currículo interdisciplinar como processo em constante construção, que se faz e refaz, centrado nas interconexões entre o contexto histórico-social-político e cultural dos/as educandos/as e os conteúdos escolares.

Práticas alfabetizadoras freireanas do NEP

O Núcleo de Educação Popular Paulo Freire – NEP da Universidade do Estado do Pará, situado em Belém do Pará-Brasil, desenvolve atividades de ensino, pesquisa e de extensão, com crianças, jovens, adultos e idosos em diferentes contextos: ambientes hospitalares, espaços escolares, lar de acolhimento de idosos, comunidades rurais ribeirinhas, entre outras.

Envolve também diferentes sujeitos: mulheres de comunidades ribeirinhas, jovens e adultos com deficiência, idosos, pessoas com transtornos mentais e crianças.

Nas práticas alfabetizadoras do NEP em diferentes contextos socioeducacionais a leitura crítica de mundo e da palavra está presente, porque se considera serem os/as educandos/as sujeitos do seu conhecimento. Além disso, os seus saberes e experiências de vida são valorizados e trabalhados em diálogos com os saberes escolares, levando-se em conta suas experiências de vida e práticas culturais.

No processo de alfabetização do NEP há o respeito à diversidade cultural dos/as educandos/as e viabiliza-se o dizer a palavra, bem como o empoderamento social dos/as educandos/as, visando a sua autonomia como pessoas e cidadãos.

Metodologicamente realizam-se algumas ações entre as quais: (a) formação permanente dos/as educadores/as por meio de cursos, eventos, reuniões sistemáticas, entre outras; (b) pesquisa socioantropológica para identificar o universo sociocultural dos/as educandos/as e (c) o uso de temas e palavras geradoras, bem como a criação de redes temáticas que possibilitam o diálogo entre os saberes das práticas sociais e os escolares.

Nas práticas alfabetizadoras do NEP os saberes culturais dos/as educandos/as orientam a prática alfabetizadora e as estratégias metodológicas utilizadas como a produção de textos, a criação de jogos, entre outras, que servem para o debate crítico das situações sociais vividas e para superação de determinadas situações como a violência doméstica, no caso de mulheres jovens e adultas de comunidades ribeirinhas.

Os/as educandos/as por meio da prática dialógica têm a possibilidade de sugerir atividades pedagógicas, como foi a proposta no Espaço de Acolhimento de Idosos, da criação de um glossário de palavras pouco utilizadas atualmente, mas que fazem parte do contexto de vida dos/as educandos/as.

A atividade de construção do glossário de palavras foi criada e nomeada pelos próprios idosos de “Palavras que o tempo não esquece na memória dos idosos”, por reconhecerem a importância da memória no resgate do vocabulário amazônico. Os próprios idosos fizeram questão de trazer, espontaneamente, para as aulas as palavras que fizeram e fazem parte da sua vida. As palavras foram registradas e posteriormente trabalhadas tanto a semântica quanto a parte fonêmica[17].

Os/as educadores/as trabalham não só com os conteúdos escolares, debatem questões que vivenciam na prática, como por exemplo, no ambiente hospitalar a complexa relação vida-morte. “Vimos a necessidade de se pensar a morte como fenômeno educativo e humanizador, que ao ser problematizada nos conduzisse a refletir criticamente sobre a concepção de seres humanos e de morte naquele espaço, viabilizando o desvelamento e a intervenção na realidade social de nossos educandos e, consequentemente, a um processo de humanização recíproco entre educadores e educandos, na busca de  respostas essenciais naquele espaço, o sentido da vida, diante da morte”[18].

Os/as educadores/as reconhecem a importância do pensamento educacional de Paulo Freire para a prática educativa em ambiente hospitalar, considerando as relações interpessoais de afetividade que são estabelecidas. “Porque, tão importante quanto o processo de alfabetização ou assimilação de conhecimentos, parecem ser as relações intersubjetivas, posto que, lidar com pessoas que estão a se desprender da vida, resignificando seus valores e desejos, criando situações imprevisíveis e tão carregadas de emoções, torna inegável o envolvimento pessoal que este trabalho nos remete”.

No caso de alfabetização em ambiente hospitalar, a situação de escalpelamento[19] de mulheres na Amazônia Paraense, perpassa pela luta ético-política de superação dos preconceitos e da baixa estima deixada pelas sequelas do acidente. A criação de estratégias metodológicas, como a roda de sentimentos, viabiliza serem trabalhadas questões afetivas, emocionais e criar laços de solidariedade diante do sofrimento físico e emocional das educandas. Nestas práticas também utilizam a cartografia dos saberes, que consiste no mapeamento dos saberes culturais dos/as educandos/as oriundos/as de suas vivências e práticas sociais. Por meio das cartografias as mulheres ribeirinhas são reconhecidas em suas práticas sociais e valorizados seus saberes culturais.

No caso do processo de alfabetização em ambiente hospitalar com pacientes com transtorno mental, os/as educadores/as desenvolviam o trato pedagógico da loucura na sociedade e no campo escolar, por meio de oficinas e a utilização de formas diversas de comunicação entre as quais: verbal, escrita, gestual, sonora e radiofônica, buscando superar a situação vivenciada por eles/elas de impotentes, improdutivos e inúteis.

Oliveira e Barbosa[20]  destacam a importância do trabalho do NEP narrada por uma profissional de saúde, no fato de proporcionar que os/as pacientes educandos/as possam descobrir que tem potencial e podem buscar cada vez mais conhecimentos. O trabalho educativo do NEP faz perceber que o usuário é um ser produtivo, é um sujeito. No hospital psiquiátrico a presença do NEP oportunizou o retorno de jovens com depressão às escolas.

Desta forma, em todas estas situações de trabalho educativo no NEP, em diferentes contextos educacionais, há um engajamento ético-político dos/as educadores/as com a superação das desigualdades e processos de exclusão social.

Educadores/as do NEP também realizam atividades educacionais em espaços escolares, com pessoas jovens e adultas com deficiência e neste campo de atuação, buscam romper com as práticas individualistas e trabalhar em pequenos grupos de educandos/as, compreendendo-se como Freire que a educação é um ato de comunicação, que envolve a relação com o outro. Freire[21] considera que o conhecimento “é um evento social ainda que com dimensões individuais”.

Além das ações coletivas, sem deixar de considerar as suas especificidades individuais, os/as educandos/as são vistos/as na sua integralidade como pessoa humana e em interação com o contexto sociocultural, sendo este contexto e as motivações dos/as educandos/as o ponto de partida da alfabetização. As atividades realizadas promovem a autonomia dos/as educandos/as no seu pensar e agir no mundo, sendo compreendidos como seres capazes de criar, pensar, agir, modificar a realidade, etc. Com isso, supera-se a visão de que o/a educando/a com deficiência não aprende, compreendem-se as limitações, mas o olhar é para as suas potencialidades, como sujeitos de aprendizagem.

Assim, a prática de alfabetização freireana do NEP é contextualizada, problematizadora, significativa para os sujeitos e interdisciplinar, além de articular os conteúdos da escola e os saberes das experiências de vida dos/as educandos/as. Em suas práticas os/as educadores/as do NEP apresentam como ponto de partida os saberes e os contextos socioculturais dos educandos que servem de base para o planejamento, criação de estratégias pedagógicas e desenvolvimento das ações educativas, que se constituem em ações dialógicas com os/as educandos/as.

A prática alfabetizadora interdisciplinar do NEP é realizada em torno dos temas geradores que convergem os saberes molhados da experiência de vida e dos diversos campos de conhecimentos. Freire[22] afirma que o tema gerador possibilita investigar, “o pensar dos homens [e mulheres] referido à realidade, é investigar seu atuar sobre a realidade, que é a sua práxis”.

A alfabetização pelo NEP é mediada pela categoria freireana de cultura compreendida como criação humana e pelo diálogo como estratégia metodológica que envolve a escuta do/a educando/a.

Por fim, a problematização das situações vividas pelos/as educandos/as contribui para a reflexão crítica e a leitura tanto de mundo quanto da palavra escrita contribuindo para um ensino crítico.

Considerações Finais

Freire destaca a necessidade política de superar o analfabetismo, que se apresenta como uma questão estrutural, isto é, as pessoas são oprimidas nas estruturas sociais, envolvendo situações históricas, políticas, econômicas. A alfabetização necessária é a que rompe com o modelo tradicional tecnicista de alfabetizar e viabilize criticamente a humanização e a libertação.

A alfabetização na perspectiva freireana é um ato criador e crítico. Desenvolve-se a leitura crítica de mundo e da palavra, visando oportunizar que as pessoas sejam sujeitos de conhecimento e de sua cidadania.

Com base na alfabetização crítica de Paulo Freire os/as educadores/as do NEP vem desenvolvendo práticas alfabetizadoras problematizadoras, críticas e criativas, visando ética e politicamente a superação das desigualdades e processos de exclusão social de indivíduos analfabetos. Práticas em diferentes espaços educacionais, com diferentes sujeitos, pessoas jovens, adultas e idosas e com diversas estratégias metodológicas, com a perspectiva de uma educação crítica, humanizadora e libertadora.

Referências

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Freire P., Política e Educação, Cortez, São Paulo 1993.                                                                  

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Silva A. Machado da et al., “Memória viva: prática pedagógica popular com pessoas idosas”, in I. Apoluceno de Oliveira (Org.),  Caderno de atividades pedagógicas em educação popular: Relatos de Pesquisa e de Experiências dos Grupos de Estudos e Trabalhos, N.2, Núcleo de Educação Popular Paulo Freire – NEP-CCSE-UEPA, Belém-Pará 2008.


[1] H. Giroux, Introdução: alfabetização e a pedagogia do empowerment político, in P. Freire e D. Macedo, Alfabetização: leitura do mundo, leitura da palavra, Rio de Janeiro,Paz e Terra 2011.

[2] P. Freire, Conscientização: teoria e prática da libertação- uma introdução ao pensamento de Paulo Freire, São Paulo, Moraes 1980.

[3] Ivi.

[4] Ivi.

[5] Ivi.

[6] E. Ferreiro, Reflexões sobre alfabetização, Cortez: Autores Associados, São Paulo1990, p.42.

[7] P. Freire; D. Macedo, Alfabetização: leitura do mundo, leitura da palavra, cit., p. 17.

[8]  P. Freire, A importância do ato de ler: em três artigos que se completam, Cortez: Autores Associados, São Paulo 1982, p. 11.

[9]   Ivi, p. 21.

[10] Ivi, p.113.

[11] P. Freire, M. Gadotti e S. Guimarães, Pedagogia: diálogo e conflito, Cortez: Autores Associados, São Paulo  1985, p. 114.

[12] P. Freire; I. Shor, Medo e ousadia: o cotidiano do professor, Paz e Terra, Rio de Janeiro 1986, pp. 24-25.

[13]  P. Freire, Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar, Olho D´Água, São Paulo 1993.

[14]  P. Freire, Pedagogia do Oprimido, 12e, Paz e Terra, Rio de Janeiro 1983, p. 29.

[15]  P. Freire, Política e Educação, Cortez, São Paulo 1993, p.30.

[16]  P. Freire; D. Macedo, Alfabetização: leitura do mundo, leitura da palavra, cit., p. 90.

[17] A. Machado da Silva et al., “Memória viva: prática pedagógica popular com pessoas idosas”, in I. Apoluceno de Oliveira (Org.),  Caderno de atividades pedagógicas em educação popular: Relatos de Pesquisa e de Experiências dos Grupos de Estudos e Trabalhos, N.2. Núcleo de Educação Popular Paulo Freire – NEP-CCSE-UEPA, Belém-Pará 2008.

[18]  K. C. Oliveira et al., “Educação em ambiente hospitalar: a complexidade vida-morte”, in I. Apoluceno de Oliveira (Org.), Caderno de Atividades Pedagógicas em Educação Popular: Pesquisas e Práticas Educativas de Inclusão Social, N.1., Núcleo de Educação Popular Paulo Freire – NEP-CCSE-UEPA, Belém-Pará 2004, p. 25.

[19]  Retirada brusca do couro cabeludo por motor de barco em rios da Amazônia.

[20]  I. Apoluceno de Oliveira; R. di Gregorio Barbosa, “Educação popular e o processo de socialização de educandos de um hospital psiquiátrico de Belém do Pará”, in Revista Contexto e Educação N.83, Ano XXV, jan./jun. 2010.

[21] P. Freire; I. Shor, Medo e ousadia: o cotidiano do professor, Paz e Terra, Rio de Janeiro 1986, p. 122.

[22] P. Freire, Pedagogia do Oprimido, 12e, Paz e Terra, Rio de Janeiro 1983, p. 115.


La autora

Ivanilde Apoluceno de Oliveira Pós-doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São